terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A evolução dos quadrinhos Disney no Brasil ( 2008-2012) - Parte 2


A evolução dos quadrinhos Disney no Brasil ( 2008-2012)
Parte 02 – OS DADOS

                A impressão que se tem é que o mercado realmente mudou, e que os quadrinhos Disney estão mais presentes às bancas e às nossas coleções. Mas, quantitativamente, o que mudou? Temos mais páginas, mais inéditas, mais republicações, mais gibis? E aquela história de rerererererererererepublicações, bate ou não?
                Os dados aqui apresentados foram contabilizados a partir das informações do banco de dados Inducks. Tentou-se contabilizar todas as páginas de quadrinhos Disney publicadas pela Abril nesses 04 anos de estudo, sempre buscando estabelecer uma comparação entre inéditas e republicações.
O foco é nos personagens tradicionais, mas também se incluiu na análise as revistas de quadrinizações da Pixar lançadas pela editora em 2011: Toy Story, Carros e Os Incriveis, além do especial Piratas do Caribe.
                Ainda fazemos uma breve comparação de dados quando se inclui as 3 linhas que a Editora On Line lançou em 2010 e 2011: Disney Cinema em Quadrinhos, Disney Filmes Clássicos em Quadrinhos e Disney Filmes em Quadrinhos (incluindo seus três especiais).
                Deu-se quatro diferentes enfoque à análise:
  1. A relação entre inéditas e republicações em 2011. 
  2. A variação dos totais publicados, inéditas e republicações no período 2008-2011. 
  3. O peso das coleções especiais nas publicações Disney brasileiras.
  4. O peso das mensais
Antes de apresentar os resultados, eu apresento as considerações que foram feitas na contabilização de páginas:

                - Mensais: Considerou-se 50 páginas de quadrinhos inéditos mensais para Pateta, Minnie, Pato Donald e Mickey e 80 para Tio Patinhas, além de 50 de republicações para Zé Carioca. Para as mensais, eu não verifiquei edição por edição se eram, por exemplo, 48 ou 52 páginas de quadrinhos, como já aconteceu em algumas revistas.

- Disney BIG, Férias e Extras: Considerou-se 300 páginas de republicações por edição de Big e 30 de Férias e Extras.

- Almanaques: Considerou-se 80 páginas de republicação por edição.
- CLD, Disney GOL, Minnie Pocket Love, Pura Risada, Disney Gigante, Donald Duplo, Epic Mickey e demais especiais:  Contabilizou-se quantas páginas realmente tinha de inéditas e republicações em cada edição.

- Disney Jumbo e Natal Disney de Ouro: Contabilizou-se quantas páginas realmente em cada edição, todas republicadas.

- Pateta faz História : Contabilizou-se quantas páginas realmente tinha de inéditas e republicações em cada edição. Aquelas histórias que tinham saído apenas em inglês no Brasil (com encarte preto e branco com tradução) foram consideradas INÉDITAS.

- Edições da On Line : Contabilizou-se apenas o número de páginas das HQs. Quando não se tinha essa informação no Inducks considerou-se 44 páginas. Todas as HQs eram inéditas.

                Alguém tem idéia de qual a relação entre inéditas e republicações em nossos gibis ultimamente? Alguém sabe como isso vem mudando com o tempo? Qual o peso das coleções CLD e PFH nessa relação? E das mensais? Isso e muito mais é discutido a partir de agora, com os resultados do estudo.


Enfoque 01 – O ano de 2011

                Em 2011, a editora Abril publicou cerca de 12.500 páginas de quadrinhos Disney “tradicionais”, ou seja, aqueles que saem comumente nas mensais, Big e demais revistas, o que exclui aquelas revistas especiais publicadas relacionadas à Pixar e a Piratas do Caribe.
                Excluindo, em um primeiro momento, as edições Disney Big e Disney Jumbo, que trouxeram 2.008 páginas de republicações, temos um resultado que a princípio parece surpreendente: as inéditas respondem por 54,2% das páginas publicadas (5.680) contra 45,8% de republicações (4.797), uma diferença de 883 páginas, valor próximo a todas as páginas publicadas em Tio Patinhas no ano (960).
                Ao se incluir Disney Big e Disney Jumbo na lista, perfazemos um total de quase 12.500 páginas de quadrinhos tradicionais publicadas pela Abril em 2011. As republicações agora responderiam por 54,4% das páginas (6.797, mais de 1.100 páginas que as inéditas).
                Juntando os dados de Piratas do Caribe, Toy Story, Os Incríveis e Carros, tem-se ainda um total de republicações maior (6.797 x 6.030 páginas). No total, a Abril então publicou, nas edições estudadas, 12.835 páginas de quadrinhos em 2011, com 53% delas sendo de republicações.
                Ao incluir no estudo os dados da On Line editora e suas quadrinizações, tem-se um total de 13.709 páginas, e uma “surpresa”: SAIU MAIS COISA INÉDITA QUE REPUBLICADA em 2011!!! O total de inéditas passa a ser de 6.904 páginas (50,4%), contra 6.797 de republicações.



O gráfico apresentado mostra os números da pesquisa. Denominou-se “Trad1” as tradicionais sem DB e DJ, “Trad2” todas as tradicionais Abril, “Abril” a junção de tradicionais com Pixar e outras e “Abril + On Line” a inclusão de revistas da On Line à análise da Abril.


Enfoque 02 – Inéditas x Republicações no período 2008-2011

                Consolidando os dados apenas das revistas “tradicionais”, tem-se, como apresentado, que as republicações corresponderam a 54,4% das páginas publicadas pela Abril em 2011, graças, em especial, à grande contribuição de DB e DJ a esse total.
                No ano de 2010, porém, as inéditas corresponderam a 51,5% das páginas, graças, em especial, à coleção Clássicos da Literatura Disney (CLD), que será enfocada no próximo tópico. O total de páginas inéditas em 2011, porém, é maior que em 2010 (5.680 x 5.271), um acréscimo um pouco maior que 7%. Com relação às republicações a evolução é bem visível: 6.797 x 4.958 páginas, um acréscimo de 37% em relação a 2010. No total, em 2011 foram publicadas 22% a mais de páginas pela Abril que em 2010 (12.485 x 10.229).
                Em relação aos números de 2009 a evolução é bem mais assustadora: no citado ano, praticamente metade das 5.195 páginas foram de inéditas. Com relação às inéditas, a evolução de 2009 a 2011 foi de 118% a mais de páginas publicadas. No total, o acréscimo foi de 140% (12.485 x 5.195).


 Pode-se dizer que a editora tem valorizado mais as republicações e negligenciando as inéditas em 2011, com relação a 2010? O acréscimo de um pouco mais de 400 páginas de inéditas, e em contrapartida um aumento de quase 1.900 de republicações, é bom?
Tudo tem uma resposta: depende.
O acréscimo da linha de almanaques aos quadrinhos Disney regulares valorizou as republicações sim, mas republicações clássicas, de ótima qualidade. Além disso, DB está cada vez mais tentando trazer HQs mais históricas, fazendo com que mesmo as republicações sejam maravilhosas opções de leitura.
Em contrapartida, o acréscimo aparentemente pequeno de inéditas em 2011 se deve ao fato da coleção CLD, que foi publicada 75% em 2010, trazer muitas HQs nunca antes lidas no Brasil, o que fez com que o número de inéditas em 2010 fosse estupendo. Essas informações serão analisadas no terceiro enfoque, que trata da importância das séries especiais como PFH e CLD.


Enfoque 03 – O peso das coleções especiais

                Após o fim de “O Melhor da Disney – As obras completas de Carl Barks”, em 2008, a Abril descansou um pouco desse tipo de coleção em 2009 e voltou com tudo em 2010, apresentando Clássicos da Literatura Disney (finalizada em 2011). Em 2011, foi a vez de Pateta faz História.
                O questionamento que se faz é: o que essas coleções agregam para os fãs Disney, com relação ao total de HQs publicadas em um ano? E mais, será que boa parte das inéditas em determinado ano vem delas? A resposta é um sonoro SIM!!!
Apresento primeiro o gráfico de totais publicados nas coleções estudadas (OMD em 2008, CLD em 2010 e CLD e PFH em 2011) em relação às outras publicações (denominadas “regulares e edições especiais”, para deixar claro que contempla todas as outras revistas publicadas no ano.


                               
A partir das informações do gráfico acima vê-se que em 208 a coleção OMD, em sua fase final, correspondeu a 26,4% das páginas publicadas naquele ano, total próximo ao do ano que passou, 2011, quando PFH e CLD foram responsáveis por 25,8% das páginas publicadas. O número em 2010 é ainda mais assustador, e pode-se dizer que foi crucial para a boa retomada dos quadrinhos Disney no Brasil: 42,3% das páginas publicadas estiveram nessa coleção!!!
E com relação às inéditas, isso é o que vale, diriam alguns... Vejamos o gráfico a seguir então:


               
Uma olhada rápida no gráfico nos permite tirar muitas conclusões, não é caro amigo? A fase final de OMD correspondeu a apenas 4% das inéditas de 2008, mas CLD trouxe simplesmente 54% das inéditas de 2010, ou seja, se não fosse essa coleção teríamos menos da metade de inéditas (páginas) publicadas em 2010. Em 2012, 31% das inéditas vieram de coleções desse tipo (PFH e CLD).
Um último adendo ao estudo é mostrar o peso das mensais nas inéditas de determinado ano, afinal, são as mensais, a meu ver, que precisam ser o reflexo de qualquer análise a fim de avaliar se o mercado Disney é estável e lucrativo, e por isso, o fortalecimento delas é necessário.


Enfoque 04 – O peso das mensais

                As mensais, pode-se dizer, são as revistas mais importantes no portfólio de publicações Disney no Brasil, afinal, seja em período de baixa seja em período de alta elas refletem, ao diminuir ou aumentar preço/número de títulos/qtd de páginas, aquele momento que os quadrinhos Disney vivem.
                Claro que a análise das mensais não é algo tão simples. O que é melhor? 10 mensais representarem 15% das inéditas publicadas em determinado ano ou 2 mensais representarem 85% desse total? Depende do ponto de vista, mas eu fico com a primeira opção. Por ser bem subjetivo, praticamente apenas levantarei e apresentarei os dados, sem entrar em muitos méritos.
                Usei então os mesmos gráficos do enfoque 03, porém individualizando as mensais, para tentar perceber qual a influência delas nas inéditas de determinado ano.



As inéditas, que aumentam desde 2009 (2.598 páginas em 2009, 5271 em 2010 e 5680 em 2011), vêm sendo fortalecidas com a produção de séries especiais (PFH e CLD) e a publicação de especiais como Disney Gol, Donald Duplo e Disney Gigante, dentre outros. Porém, uma grande parcela das inéditas em um ano são provenientes dessas revistas regulares, o que é algo muito bom.
No gráfico se percebe que a cada ano aumenta o número de especiais com inéditas, o que é ótimo. Além disso, o ano de 2011 publicou um número de páginas inéditas nas mensais recorde no período, com o lançamento dos títulos Disney e Pateta, que melhoraram a estatística em relação a 2010, ano em que, com o cancelamento de AVD em 2009, as inéditas apareceram mais em CLD que nas mensais.
O número de inéditas provenientes das mensais foi de mais de 95% em 2008 (alguns especiais trouxeram inéditas) e 2009 (apenas OMD trouxe inéditas além das mensais) e de 41% em 2010 (influência do cancelamento de AVD e lançamendo de CLD) e 50,4% em 2011 (resultado do fortalecimento das mensais, já que houve muitos especiais também com inéditas).
 
              
Conclusão 
Ao fim do enfoque 02 eu trouxe uma breve análise do que acho: mesmo que às vezes pareça que as inéditas não estão sendo incrementadas no ritmo das republicações (até por terem um custo de publicação aparentemente maior), a evolução da publicação desse tipo de HQ é visível.
Além disso, as republicações apresentadas em 2011, por exemplo, são bem melhores, a meu ver, que aquelas de 2008 e 2009, e mesmo as linhas Disney Extra E Disney Férias têm trazido HQs maiores.
As mensais ainda contam, como se viu, com uma carga importante de participação nas inéditas publicadas em um ano, mesmo que surjam outras opções fantásticas para a publicação dessa linha de HQs, como os especiais como Donald Duplo e Disney Gol e as coleções semanais.



3 comentários:

  1. Oi sergiokid, ousada e edificante a análise feita por vc dos últimos anos das hqs Disney.
    As hqs que vemos nos quadrinhos Disney da Abril são selecionadas e chegam aos gibis de diversas formas:

    1) hqs código B produzidas pela Abril antigamente e guardadas em filme em preto e branco (fichas plásticas) nos arquivos da editora Abril(tem um custo relativamente baixo), já foram publicadas alguma(s) vez(es) e precisam apenas de retoques e cores feitos pelo estúdio Lua Azul pra irem parar num gibi (geralmente almanaques de republicações). Como são anteriores a 2000 ainda não foram digitalizadas, tem que fazer na raça e dá um pouco de trabalho.

    2) hqs que estão no banco digital da editora (é uma janela de mais ou menos 12 anos). De 2000 para cá a Disney dos EUA determinou que todas as hqs passassem a ser guardadas assim. Por isso vemos tanto dessas hqs sendo rerererepublicadas, são uma coisa mais prática e fácil de fazer. Acredito que são as hqs mais baratas pra rererepublicar.

    3) hqs novas produzidas pela Disney Itália, os caras produzem um montão de hqs e a Abril pode comprar e receber digitalizada a hq em inglês, aí é só traduzir e publicar (tem um custo medio), são mais caras para publicar num gibi do que as hqs que já estão no banco de dados da editora ou aquelas antigonas código B da própria editora Abril.

    4) hqs novas da Dinamarca (Egmont) são hqs produzidas de montão, e são fáceis de comprar porque são produtos para exportação deles mesmo. Quando a Abril compra uma hq da Disney Itália ou Egmont pode publicá-la por mais vezes, não precisa pagar de novo.

    5) hq nova e produzida no Brasil. Essa sim é a hq mais cara para a Abril. O custo de apenas uma hq nova e código B, corresponde a encher 5 ou 6 gibis mensais com hqs inéditas (para nós) de origem estrangeira.

    Por estas razões é que entendo ser perfeitamente normal que as inéditas sejam sempre superadas pelas republicações. Gibi tem que ser lucrativo, senão sai das bancas.
    As coleções e especiais são diferentes porque tem preço diferenciado (são mais caras) e podem abrigar hqs inéditas numa boa.
    As mensasi fazem isso de publicar inéditas, mas imagino que o lucro da editora seja menor por edição, e o que compensa então é a alta tiragem das mensais.
    pra finalizar quero dizer que quando a Abril lançou o Disney Jumbo com 500 páginas a R$ 15 demonstrou abertamente o baixo custo das republicações de hqs da janela digitalizada, e são hqs que já foram pagas quando publicadas pela primeira vez. E o mesmo acontece com os gibis de R$ 1,95 que são apenas republicações da janela digitalizada. Não daria pra vender um gibi a R$ 1,95 que tivesse uma hq inédita por exemplo.

    Acho que é assim que funciona, não sou o dono da verdade, são apenas impressões minhas de colecionador e fã.

    Abraços amigo
    E parabéns pela excelente postagem e estudo.
    Paulo

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  2. EXCELENTE pesquisa, Sergio.

    Mas é aquela coisa: pode ter um número aproximado entre inéditas e republicações, ou até mais inéditas, mas elas estão sendo sim maltratadas. On-Line eu nem conto, não é adaptação de longas animados? E inéditas tipo Mickey sofrem pelo pouco espaço a histórias longas, por exemplo. Acho bem ruim que dependamos de lançamentos especiais para ver histórias inéditas... Mas como seus dados provam, já estivemos em (bem) pior situação...

    Vamos torcer para que a Abril não nos decepcione neste 2012...

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  3. Valeu a pena ler essa grandiosa pesquisa. Como sou um novato colecionador, está sendo vantajoso as republicações e somando com as inéditas fica um número imenso de páginas por ano. Espero que a Abril continue nesse nível.

    Poderia responder uma dúvida de novato? Os gibis publicados mensalmente aqui, possuem roteiros de autores brasileiros, ou tudo vem traduzido da Europa/Itália??

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